Arquivo do dia: junho 28, 2011

Não me mande flores

Texto do amigo Paulo Scott.

Tento equilibrar o pouco tempo que há. Não acredito em quem se isola dos outros, em quem não vibra com o que (feito por outros) tenha qualidade. Uma das razões que me fez aceitar o convite pra participar da antologia Geração Zero Zero, curadoria de Nelson de Oliveira, foi justamente o fato do Nelson, além de ser um teórico e escritor por quem nutro a mais profunda admiração, prestar atenção (assim como fazem, por exemplo, Joca Terron, Ronaldo Bressane e Marcelino Freire) e admirar, com capacidade única de interpretar, o trabalho dos nossos contemporâneos. Tenho essa dificuldade em não buscar conhecer mais e melhor o trabalho de quem me chama atenção para, talvez, me dedicar aos clássicos da literatura grega, romana, inglesa. Que isso não sirva de exemplo a ninguém, não sou modelo pra ninguém. Como disse, tento equilibrar o pouco tempo que há. Sou um leitor compulsivo é o que importa.

Os jovens escritores de cinco anos atrás já deram seu lugar aos mais novos, e os novíssimos de hoje também perderão seu ar de novidade daqui a pouco. É o ciclo inevitável deste mundo acelerado onde vivemos. Você não escreve apenas com o combustível do deslumbramento, não dá certo; um dia você ficará sozinho com a sua obra, que precisa dizer algo de verdade e não pode se repetir e sei lá o que mais. Um dia você fica sozinho e daí começará a ser escritor (ou tentar escrever sem as desculpas e confortos do primeiro impulso); você estará no ar e deverá pender (pensar) e suspender (pensar também) – aqui, meu agradecimento à lembrança motivada pelo discurso de Ronaldo Ferrito – e disso tudo tirar o que ninguém previra, e o que ninguém esquecerá.

Tenho essa limitação: não consigo enxergar nos escritores a genialidade dos que mexem com a música ou com as artes plásticas (daí ser tão fã de músicos e ilustradores e ficar o tempo todo consumindo a arte que essa gente produz). Isso é uma limitação minha, que fique bem claro, não é uma sentença universal. Bem, levando tudo isso em conta, e juntando as reminiscências do que foi o difícil ano de 2010, posso garantir que tive a sorte de conhecer ano passado um sujeito da maior qualidade como pessoa e como artista: o Eduardo Medeiros. Com ele comecei a produzir uma Grafic Novel chamada “Não me mande flores”, uma adaptação livre do que poderia ter acontecido no grande chegou que a banda Defalla, no auge da carreira, fez em 1989 no Teatro Presidente em Porto Alegre, combinada (numa linha narrativa paralela) com o que poderia ter sido a infância de um dos sujeitos mais criativos da história da música brasileira, o Eduardo Martins Dornelles. O rascunho (layouts e tal, sem termos ainda a finalização) ficou em trezentas páginas magnificamente esboçadas.

Aqui, vai a imagem com a caracterização recente dos quatro membros (Biba Meira, Flavio Santos, Edu K e Castor Daudt), a mesma caracterização que aparecerá no livro. Não importa se você conhece o Defalla, se gosta deles ou não. O que eles fizeram, isto você concordará, foi (e é) especial e inspira como pouquíssimos trabalhos coletivos que tive a oportunidade de testemunhar nesta vida (incluído nesse espectro a vastidão do Youtube). Não quero pensar, e me preocupar (não sou editor) quando a Grafic Novel será publicada, me importa que tenha qualidade e que sirva pra sempre como prova da honra e da alegria que foi (e é) trabalhar com esse cara talentoso chamado Eduardo Medeiros.

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É uma grande felicidade conhecer e estar trabalhando com o grande Paulo Scott . Nós temos reuniões sobre o projeto desde final de 2009, se não me engano. Agora, em junho de 2011, as páginas começam a ser produzidas.

Tenho estado mergulhado em xerox  de jornais dos anos 80, matérias de revistas, tudo que envolva a banda. Eu não fazia idéia do destaque que a banda teve nos anos 80, como cresci no 90, peguei a fase popozuda do Defalla. Foi massa conhecer mais da banda em várias conversas que Paulo e eu tivemos.

Eu ainda não fui apresentado ao Edu K, mas desde 2009 eu encontrei ele duas vezes, uma no show do faith no more e outra no Ozzy, das duas vezes eu fiquei perto, por coincidêcia. Observando.

Vai ser um livro massa, não tenho dúvidas disso. O roteiro que o Paulo escreveu está Foda demais.

abração!

Muito obrigado pelas visitas e pelos comentários.

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